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Arquivo de agosto, 2014

segunda-feira, 25 de agosto de 2014 Seleção feminina | 10:47

Brasil leva ouro no GP e mostra que pressão pode fazer bem

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E a seleção brasileira feminina de vôlei faturou o 10º título no Grand Prix neste final de semana. A equipe venceu o Japão por 3 a 0 na “final da competição” (torneio é de pontos corridos na fase final, e brasileiras e japonesas tinham chances de ficar com a taça no último jogo) e ficou mais uma vez com o ouro. E a medalha mostra que um pouco de pressão pode fazer muito bem para um time.

Divulgação/FIVB

Brasil com o ouro no pódio no Grand Prix

Quem nunca escutou no vôlei que uma boa equipe não tem apenas os seis titulares, mas 12 jogadores? Esse pensamento parece não se adequar muito à seleção feminina. Por lá, há uma disputa entre titulares e reservas e isso dá um bom resultado em quadra. Na fase fina, diante da Turquia, o Brasil não levou um 3 a 0 porque José Roberto Guimarães mexeu e colocou reservas em quadra. Com Tandara, Gabi, Carol, Fabíola e Monique, em alguns momentos, a equipe levou o jogo para o tie-break. Perdeu por 3 sets a 2, mas a atuação serviu para acordar as titulares.

Os melhores: Brasil coloca três jogadoras e o técnico Zé Roberto na seleção do Grand Prix

Com a equipe principal de novo em quadra, o Brasil cresceu e só venceu na fase final. Marcou 3 a 0 para cima da China, passeou com outro 3 a 0 diante da Bélgica e chegou ao jogo contra as russas tendo que vencer para seguir com chances de título. E veio mais um 3 a 0, resultado que coloca mais uma pedra em cima do fantasma de Brasil x Rússia, que fica cada vez mais em passado distante (nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, e na final do Mundial de 2010, para ser mais exata).

Leia ainda: Zé Roberto elogia recuperação do Brasil no Grand Prix

Era a hora do último jogo no Grand Prix. Para ficar com o título era preciso um 3 a 0 ou um 3 a 1 contra o Japão. Foi mais um 3 a 0, com dois sets tranquilos e dificuldade na última parcial. Mas o Brasil foi bem e ainda agradeceu os 29 pontos dados e em erros pelas japonesas para conquistar o 10º título no torneio.

E também: Melhor jogadora da final, Sheilla destaca poder de reação da seleção

Agora é pensar no Mundial, o título que falta para essa seleção. As expectativas são boas. Além de ser uma geração que venceu Olimpíada, Grand Prix e outros torneios, Zé Roberto já está fazendo uma renovação no time. Já contava com Gabi como ponteira e agora ainda tem a jovem Carol pelo meio, por exemplo. E renovação tem que ser feita assim, aos poucos, para que as mais experientes realmente possam passar o bastão para as novatas. Para ajudar, as meninas que estão chegando estão bem e pressionam as titulares a manter o alto nível se não quiserem parar no banco. Olha a pressão fazendo bem, aí.

Falando nisso, quando as titulares voltaram depois da derrota para a Turquia, o Brasil teve as suas melhores atuações. Como as atletas falaram depois do título, o Grand Prix mostrou superação e poder de reação do time. E uma reação rápida. Depois de perder levando 12 aces da Turquia, a seleção se encaixou e soube voltar a trabalhar com passe na mão. Diante da Rússia, por exemplo, o time já estava pronto de novo e segurou as europeias com bloqueio tocando em muitas bolas (foram 16 pontos diretos e diversas amortecidas) e defendendo, o que facilita o jogo.

Que venha o Mundial! O torneio começa dia 23 de setembro, na Itália.

P.s.: Só lembrando que estou na cobertura de eleições aqui no iG, então peço um pouco de paciência de vocês se demorar para escrever… =(

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014 Diversos | 10:13

Mudança de área…

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Oi, galera

Estou um pouco afastada nos últimos tempos, eu sei. E como vocês também sabem, além de manter o blog, eu sou repórter no iG. Depois da correria da Copa do Mundo, eu mudei de área por aqui e agora estou na cobertura de eleições. Ou seja, mais correria!

Estou vendo os resultados e algumas coisas do Grand Prix, mas está complicado conciliar tudo. Mas vou tentar escrever pelo menos um balanço da competição…. Por enquanto, a gente fica na torcida por mais um título do Brasil!

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Diversos, Seleção masculina | 11:01

30 anos da prata que marcou uma história

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Seleção brasileira com a prata no pódio nas Olimpíadas de Los Angeles 1984

Seleção brasileira com a prata no pódio nas Olimpíadas de Los Angeles 1984

No dia 11 de agosto de 1984 a seleção masculina de vôlei estava em quadra diante dos Estados Unidos para o jogo mais importante da história da modalidade até ali. Pela primeira vez o time nacional estava na segunda fase de uma Olimpíada. Pela primeira vez o vôlei era acompanhado por brasileiros apaixonados por aqueles novos ídolos. E pela primeira vez o Brasil era favorito ao ouro olímpico. Entretanto, naquele 11 de agosto, a equipe comandada por Bebeto de Freitas e com nomes como Montanaro, William, Bernard, Renan, Xandó, Bernadinho e companhia perdeu por 3 a 0 para os americanos e voltou para casa com a prata.

Você se lembra da geração de prata? Começou a seguir vôlei com eles? Deixe seu comentário no post e conte sua história

Choro e decepção? Sim, afinal a chance do primeiro ouro era real, já que o Brasil havia vencido os Estados Unidos nove vezes naquele ano e a então fortíssima União Soviética não estava nas Olimpíadas de Los Angeles em resposta ao boicote dos americanos aos Jogos de Moscou quatro anos antes. E o Brasil tinha passado pelos rivais da decisão na primeira fase das Olimpíadas, com 3 a 0 o placar. Mas na final veio a prata e o nome de uma geração que pode ter falhado, mas que carregará para sempre o mérito de ter apresentado o vôlei ao país.

Nasce uma geração para apresentar o vôlei

A medalha de prata completa 30 anos nesta segunda-feira. “É a prata mais valorizada”, disse uma vez William, levantador daquela geração. O segundo lugar não costuma fazer sucesso, mas com aquela equipe foi ao contrário. A história começou antes, em 1981, o primeiro ano da modernização do esporte. A partir dali, o vôlei passou a ganhar ares de profissional, com dois treinos por dia e mais estrutura aos jogadores, que até pouco tempo antes chegavam aos campeonatos internacionais e lá descobriam que existia algo chamado manchete que poderia ser usado na recepção.

E a geração de prata nasceu em 1982. Naquele ano o Brasil sediou o Mundialito no Rio de Janeiro e foi campeão diante da antiga União Soviética, potência da época. Depois, em setembro, embarcou para a Argentina e aos poucos foi caminhando no Campeonato Mundial. Acabou com a prata, depois de perder para a mesma URSS, mas voltou para casa como ídolo. Os jogadores foram recepcionados nos aeroporto e ali começava uma paixão pelo vôlei.

Seleção da geração de prata do vôlei brasileiro

Seleção da geração de prata do vôlei brasileiro

Dois anos depois, as Olimpíadas de Los Angeles. Como disse lá no início do texto, o Brasil já chegou como um dos favoritos. Mas levou um 3 a 0 com placar de 15/6, 15/6 e 15/7 na decisão. É claro que o sentimento ali, logo após a derrota na casa dos rivais, era ruim. Badá, por exemplo, retirou a medalha do pescoço logo depois que a recebeu e ficou sem ela no pódio. Demorou um tempo até a derrota ser assimilada, mas depois veio o reconhecimento.

A geração dos anos 80 foi, sim, uma equipe que ficou como segundo lugar, mas que ensinou o que é vôlei ao brasileiro. Foi nessa época que o esporte ganhou espaço na TV com o saudoso Luciano do Valle. Foi essa geração que mostrou os talentos do Brasil e os levou a atuar em times do exterior pela primeira vez. Foram eles também quem criaram o saque Viagem, por exemplo. E o serviço apareceu em uma brincadeira em quadra. Montanaro uma vez me contou que os jogadores, encabeçados por William, disputava quem era o mais forte e sacavam dessa maneira, soltando o braço depois de lançar a bola. A ideia pegou e virou o saque “Viagem ao fundo do mar”, hoje apenas “viagem”. E quem não se lembra do “Jornada nas Estrelas” de Bernard? Mas nem todos sabem que isso não foi invenção do atacante. Ele tomou como base o saque usado pelos tchecos na década de 50 e aí fez o seu “jornada”.

Idolatria, fama e vaidade

E também foi com essa geração que nasceram os ídolos e os símbolos sexuais no esporte. Quantas e quantas adolescentes dos anos 80 não foram apaixonadas por Renan? Daí também vem a lição da geração de prata. Naquela final olímpica, a equipe dos Estados Unidos teve uma excelente atuação, mas o Brasil também foi responsável pela prata. “Um quis aparecer mais do que o outro. Foi a medalha de ouro mais certa que a gente deixou escapar. Foi muita vaidade”, afirmou Amauri, único daquele time a conquistar o ouro nas Olimpíadas de Barcelona, em um papo há alguns anos.

Pela primeira vez, os jogadores de vôlei faziam sucesso com público e imprensa. Os times conseguiam patrocínio e eles, fama, campanhas publicitárias e dinheiro. Isso subiu à cabeça, como lembra Amauri. Eles não souberam lideram com esse novo cenário, se deslumbraram e, como já comentou Montanaro, esqueceram de pensar em vôlei. “A fama subiu à cabeça de todos“. A geração de desfez e ensinou também o que não deveria ser feito em um grupo.

30 anos depois… 

Nos anos 80 o Brasil mostrou que poderia ganhar em outro esporte coletivo e não apenas no futebol. E talvez o fiasco da seleção na Copa do Mundo de 1982 tenha até ajudado a criar os ídolos do vôlei com o vice no Mundial daquele ano. Será que a história se repete? A Copa de 2014 ficará marcada por aquele 7 a 1 que a equipe de Felipão levou da Alemanha. E daqui a pouco teremos os Mundiais masculino e feminino. Bernardinho pode levar o time ao inédito tetra seguido. E Zé Roberto, com a seleção feminina, pode conquistar o único título que falta ao elenco e sepultar de uma vez por todas os fantasmas das finais contra a Rússia. Será que 30 anos depois de uma grande história, o vôlei do Brasil escreve outra?

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sábado, 2 de agosto de 2014 Diversos, Seleção masculina | 15:34

Giba se despede e leva no currículo a contribuição para um novo vôlei do Brasil

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Giba com a medalha de ouro e coroa nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004

*atualizado

O dia 1 de agosto vai fazer um pouco de parte da história do vôlei. Foi o dia que Giba anunciou a sua aposentadoria das quadras. A decisão já era esperada, afinal o jogador já tem 37 anos e estava sem atuar. Mas trata-se de um atleta que conquistou ao menos uma vez todas as competições que participou, incluindo Olimpíadas e Campeonato Mundial, foi diversas vezes melhor dos torneios, também incluindo Olimpíadas e Campeonato Mundial, e se tornou o nome mais famoso da Era Bernardinho. Ele merece respeito!

Giba começou a jogar em 1989 e chegou à seleção em 1995, ainda sob o comando de José Roberto Guimarães. Passou pela fase de baixa do time sob o comando de Ramadés Lattari, foi reserva de Giovane e ganhou de vez espaço para fazer história quando Bernardinho chegou ao time, em 2001. Aí foram títulos, como Ligas Mundiais, Olimpíada de Atenas, tri no Mundial e mais. Sem contar as seis vezes como MVP. E no meio do caminho veio a parceira com Ricardinho, que ajudou a mudar o jeito de jogar do Brasil.

E esse novo jeito de jogar é o motivo de Giba ter sido brilhante em quadra. Com 1,92m, Giba nunca foi o atacante mais alto, mas era um dos mais velozes e Ricardinho soube explorar. Quantas vezes já escutamos do narrador que ele parava no ar antes de bater? Pois foi esse tempo de bola diferenciado e a velocidade de braço que o fizeram o atacante decisivo. E essa maneira de jogar que recolocou o Brasil no topo do mundo no vôlei.

Ao longo da carreira, Giba foi notícia não apenas pelos ataques e defesas. Em 2002, foi flagrado na Itália no exame antidoping por maconha e em uma atitude honesta, assumiu ter consumido a droga. Depois, em 2004, conheceu a filha Nicoll pela TV Globo, já que estava com o Brasil nas Olimpíadas de Atenas quando a menina nasceu. Também não herdou apenas o posto de ponteiro da seleção de Giovane, mas também o de ‘muso’ da seleção, arrancando muito suspiros por aí.  Isso sem falar que ganhou o seu bordão de Galvão Bueno, o Giba neles, e ainda criou a marca registrada do El Bigodon em decisões.

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Giba consola Bruno no pódio em Londres. Despedida da seleção foi com a prata olímpica

Sim, Giba também viveu polêmicas. Recentemente, saiu mal visto pela torcida do Taubaté depois de ter começado no time e decidido jogar nos Emirados Árabes. Fora das quadras, ainda vive turbulências desde a separação com a ex-jogadora Cristina Pirv. Mas vale ressaltar o que ele fez com a bola nas mãos.

Eu me lembro de acompanhar vôlei desde 92. Lembro de Giba na seleção com Lattari e nos primeiros times. A primeira vez que o vi no ginásio foi ainda pelo Chapecó, em São Caetano, em 97 ou 98. E essa velocidade do braço e a plástica no ataque sempre chamaram a atenção.

Teve também o Giba líder. O que foi o maior pontuador da final olímpica contra a Itália em Atenas 2004, por exemplo, e que foi um dos grandes nomes em uma década. Mais um momento de líder e, para mim, a imagens das Olimpíadas de Londres, é  dele no pódio, consolando Bruninho às lágrimas depois da prata. Ali era o fim de uma era, já que ele já tinha anunciado que não defenderia mais a seleção. E agora é a vez do adeus definitivo. Obrigada, Giba!

P.s.: Enquanto isso, o Brasil estreou com três vitórias no Grand Prix e com volta de Jaqueline ao time titular depois de ter ficado parada para ser mãe de Arthur. Na próxima semana a equipe feminina joga em casa

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