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Arquivo de maio, 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008 Sem categoria | 10:41

Quando a família vem primeiro, como fica a seleção?

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A seleção brasileira masculina treina em Saquarema completa para os jogos da Liga Mundial e da Olimpíada de Pequim. Nesta semana, Giba e Serginho chegaram para completar o grupo. Mas esse grupo pode logo se desfazer. Esposa, filhos e cabelos brancos fazem os jogadores pensarem em aposentadoria da seleção.

O tempo passa e o time que ganhou praticamente tudo sob o comando de Bernardinho está ficando velho. Anderson, André Heller, Giba, Marcelinho, Nalbert, Serginho e Gustavo já passaram dos 30. E alguns deles acham de 2008 é o ano para se despedir da camisa verde e amarela.

Pelo menos Gustavo deixou isso claro em entrevista em Saquarema na terça-feira. Ele garante que não tem problemas nenhum com o técnico ou com a equipe, mas pensa em deixar a seleção depois da Olimpíada. Segundo o jogador, ele já está de cabelos brancos de tanto estresse e quer mais tempo para ficar ao lado da família. O líbero Serginho parece seguir os passos do central e comentou que pode sair do time de Bernardinho no final do ano e já descartou mais uma Olimpíada.

Cada jogador sabe o seu limite. Atuar na seleção por muitos anos, como é o caso de Gustavo, há 12 no time, é cansativo. São treinos e concentrações, competições seguidas e pouco tempo em casa. Mas esse é o preço que todo atleta de alto nível paga. Basta saber até quando ele está disposto a pagar por isso. E também tem o fator físico. O corpo não agüenta saltos, ataques, saques e todos os movimentos por muitos anos. Depois dos 30 então…

Eles param, mas a seleção continua! Para o meio-de-rede o Brasil tem boas opções. Lucão fez uma ótima Superliga pelo Cimed. È um jogador novo, alto e muito rápido no bloqueio e ataque. Éder também é uma boa pedida. Lá fora ainda tem o Sidão, do Modena, que está com o time brasileiro em Saquarema.

Já para a posição de líbero pode ser finalmente a chance de Alan se firmar na equipe de Bernardinho. O técnico sempre o convoca na primeira lista e acaba o deixando de fora depois. Tudo bem, com Serginho não tem páreo. Além disso, Lukinha, do Unisul, mostrou que não tem medo de bolada na Superliga deste ano. Ele tem apenas 21 anos e já é dono da posição no time do sul. Vale olhar para ele nas próximas convocações.

Claro que toda renovação exige um tempo de adaptação. Para Pequim, o Brasil ainda contará com todos os seus jogadores e, se mantiver a cabeça no lugar, trás mais um ouro. Depois, pode sofrer um pouco com as saídas dos ídolos e perder alguns títulos pelo caminho. Entretanto, ninguém é eterno. Deixem os mais velhos cuidarem se seus cabelos brancos e dêem tempo para os novos chegaram. No Brasil tem jogador para manter “padrão ouro” com a camisa verde e amarela.

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Sem categoria | 09:08

Rodrigão fala de seleção, Olimpíada e volta às quadras

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Conversei com o Rodrigão, meio-de-rede da seleção brasileira, na semana passada para uma matéria para o iG. Ele, que se recupera de uma cirurgia após romper o ligamento do joelho esquerdo, falou com exclusividade da expectativa de voltar logo às quadras, dos treinos com a seleção brasileira, dos adversários em Pequim e também da polêmica de Ricardinho no time nacional. Confira a íntegra da entrevista.

Como foi que você rompeu o ligamento do joelho?
Rodrigão
: Subi no bloqueio, pisei no pé do meu companheiro e cai. Eu sabia que tinha torcido o joelho, mas não imaginava a gravidade. Fui para o vestiário, passaram um remédio para tirar a dor. Tentei voltar, mas a perna não estava bem e deixei mesmo o jogo.

Qual foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça quando soube da gravidade da lesão? Perder a Olimpíada?
Rodrigão
: A primeira coisa foi medo de não jogar as finais do Italiano. O time estava jogando muito bem, mas depois até seria difícil chegar na final porque caiu de rendimento, não só com a minha saída, mas também com a saída do Alessandro Papparoni. Depois veio pôr em risco a Liga Mundial e a Olimpíada. Era um ano que poderia disputar muita coisa.

Perto da Olimpíada de Atenas você teve uma lesão por estresse na perna e até foi comentado que você poderia ficar de fora da competição. Lembrou disso na hora da lesão?
Rodrigão:
Nem lembrava mais da lesão antes da Olimpíada de Atenas. Na época eu não sentia nada e sabia que era só repousar que iria melhorar e jogar a Olimpíada. Essa foi a minha lesão grave, primeira cirurgia. Nunca tive nada. Nunca machuquei tornozelo, joelho, ombro, nada. Foi um acidente de trabalho. Aconteceu independente de a parte física estar em ordem. Tem que aceitar e conviver com isso.

E agora, dois meses depois da sua cirurgia, como você está? Já consegue treinar com o grupo? Ainda sente alguma dor?
Rodrigão:
Já consigo fazer bastante coisa. Estou correndo, fazendo natação, batendo bola e um pouco de deslocamento. Só ainda não salto e nem faço deslocamento com velocidade, que é a parte mais difícil. Acho que saltar não deve ser muito complicado, mas o deslocamento é pior porque é onde sente mais a falta de estabilidade no joelho. Não sinto dor, só um pouco de medo. Ainda treino separado, com o Bernardo e o Bruninho. Não faço mais fisioterapia, agora é muita musculação para fortalecimento muscular.

Apesar da gravidade da lesão, afinal tratar um ligamento rompido não é simples e exige tempo, Bernardinho afirmou que iria esperar por você na seleção.
Rodrigão
: Já esperava isso dele e não seria diferente. Se fosse diferente eu ia ficar muito abatido e chateado. Estou fazendo tudo e lutando contra o tempo para ficar bem voltar e não teria mais vontade de fazer nada se fosse diferente. Não estaria me empenhando tanto para voltar e faria tudo com mais calma, para voltar a jogar só no clube em setembro.

E quando você volta a jogar?
Rodrigão
: A previsão dos médicos é voltar no dia 10 de julho, um pouco antes das finais da Liga Mundial. Se desse para adiantar uma ou duas semanas seria perfeito.

Você vinha sendo titular da seleção, ao lado de Gustavo, desde 2003, mas agora com esse tempo fora das quadras você deve ter perdido a posição…
Rodrigão:
Ainda não sei como vai ser a minha volta. Mas o André deve começar jogando porque está mais entrosado. Ele deve ser o titular. Mas eu tenho que voltar a jogar e vou lutar pela vaga.

A Liga Mundial começa agora em junho e o Brasil tenta o oitavo título. Logo depois tem a Olimpíada e a busca pelo terceiro ouro. Quem pode ficar no caminho da seleção?
Rodrigão:
Os adversários são Rússia, Sérvia e Itália. A Itália chegou à final da última Olimpíada e se tiver empenhada, volta a jogar bem. A seleção teve muitos problemas internos, mas tem muita gente com vontade de jogar e esquecer tudo. Ah, tem também a Bulgária, que contra a gente parece que é outro time. Acho que eles têm alguma coisa contra o Brasil.

Esse time é conhecido por ganhar praticamente tudo o que disputa. Nesse ano, o que pode tirar o título na Liga e o ouro olímpico do Brasil?
Rodrigão:
Além dos adversários, o Brasil não pode perder a cabeça e nem se desconcentrar do trabalho. Já tem estar com a cabeça em Pequim desde agora. Segredo é a humildade. Tem que trabalhar sempre para estar lá em cima e não pode querer deixar de subir.

Nessas competições o time vai jogar mais uma vez em Ricardinho, que está longe da equipe desde o corte no Pan-americano. Toda a crise já foi superada?
Rodrigão:
O Ricardo virou a cara para todo mundo e a gente não tem mais o que falar ou o que fazer. Ele não quis mais e a gente continuou. E eu sempre me senti mais entrosado com o Marcelo, porque jogamos junto no Suzano. E a equipe toda já está mais entrosada com ele e aprendeu a respeitar ele em quadra.

E quem assumiu o papel de líder na seleção em quadra, sem o Ricardo. A volta do Nalbert ao time ajuda?
Rodrigão:
Desde 2004, quando o Nalbert e o Giovane saíram da seleção, além do Ricardo, Gustavo e Giba assumiram a posição de líder. E agora com a volta do Nalbert, os líderes continuam sendo eles. O Nalbert pode ajudar os outros.

Você ainda tem contrato com o Macerata, da Itália. O que pretende fazer depois da Liga e da Olimpíada? Volta para casa ou segue por lá?
Rodrigão:
Ainda tenho mais um ano de contrato com o Macerata, até para ter mais tempo de tratar a lesão. Queria voltar a jogar no Brasil, mas é meio difícil. Ainda tem problema financeiro. Sei que tem muito jogador voltando, mas os clubes ainda não estão bem e não conseguem trazer muitos jogadores.

Se voltasse, teria algum time de preferência por aqui?
Rodrigão:
Não tenho um time do coração no Brasil, mas se pudesse escolher, escolheria o Banespa porque é perto de casa. Poderia jogar e morar em casa. (A família de Rodrigão mora na Praia Grande, litoral de São Paulo, e o Banespa fica em São Bernado, a menos de uma hora de carro).

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